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SONHOS MOLDADOS SOB SACRIFÍCIOS QUE NINGUÉM VÊ

por Karina Kiss

O drama dirigido por Valery Todorovsky (Odessa, 2019) apresenta a rotina de quem pretende se tornar um bailarino(a) no mais famoso instituto de ballet do mundo.


No longa, a jovem dançarina Yulia (Margarita Simonova) vê seu futuro se desenhar através do contato com um ex-bailarino russo que a apresenta à academia Bolshoi. Ao longo do filme, vemos a trajetória da menina se tornando mulher, dançarina e posteriormente estrela do balé. Em contrapartida, assim como na vida real, os desafios de uma bailarina vão muito além de alongamentos e ensaios, há muita rivalidade para conquistar os holofotes do tablado. Yulia logo perceber isso ao constatar que sua oponente Karina (Anna Isavea) exercita uma torturante estratégia de "passar a perna" em todos da Companhia, custe o que custar.

Bolshoi vai além dos tutus (vestimenta) e incríveis habilidades de dança, mostrando como a resiliência é importante para quem pretende se dedicar a carreiras de risco e com curto prazo de duração (em termos de idade). Não se trata de ensinar o espectador a lutar por seus ideais, nem tampouco a ver os aspectos negativos da profissão, mas sim retratar a sociedade workaholic (viciada em trabalho) existente em qualquer país ou nacionalidade.



Ao mesmo tempo em que o roteiro aborda a dualidade existente entre o lado senil na figura de uma bailarina renomada, hoje com Alzheimer e, por outro lado, o aspecto pueril de uma jovem aspirante à "primer" bailarina que, além de rude, tem má educação. Há demonstrações da frieza tipicamente russa, aliada ao ideal utópico buscado por todos. E assim como ocorre em qualquer outra atividade ou sociedade, fica claro que a predileção é tendenciosa a quem tem poder, fama ou dinheiro.


Há momentos de descontração e leveza também, para amenizar um pouco a narrativa, embora haja momentos que, sinceramente, poderiam ficar apenas subentendidos na trama. A fotografia e a direção de arte não apresentam nada fora do comum, embora mereça destaque a perspectiva utilizada na composição de determinadas cenas.


Estar sob a tutela de alguém nem sempre é fácil. Ainda mais em se tratando de um ambiente rígido, extremamente profissional e com acirrada concorrência. Os diálogos demonstram que há abnegações da vida em crescimento para conseguir almejar um lugar de prestígio e aprendizado, com data marcada para terminar.


Por fim, há uma mensagem sutil sobre perseverar e jamais abrir mão de um sonho. Há sacrifícios e lutas constantes, porém ao final nenhum obstáculo se mantém grande o suficiente para impedir quem sabe o que quer.


Festival de Cinema Russo

Até 30/12.

Onde: plataforma SPcine play

Gratuito.







À ESPREITA DE UM VAZIO NO MEIO DO NADA

por Karina Kiss

Drama atípico da diretora Natalia Meshchaninova (Arritmia, 2017), é uma fábula sobre a fragilidade da empatia humana oprimida.

Em uma área rural da Rússia, uma família de fazendeiros cria raposas que servem para o treinamento de cães de caça. Por exigência da administração local, contratam um o jovem veterinário Egon (Stepan Devonin).

Os fazendeiros Nicolai (Dimitri Podnozov) e Nina (Ekaterina Vasilyevna), tem uma filha: Dasha (Yana Sekste), mãe solteira do garoto Ivan (Vitya Ovodkov), que logo desperta interesse em Egon (o veterinário). Um relacionamento superficial se inicia entre os jovens após os cuidados dispensados por ambos à cadela Belka, que foi machucada pelos outros cães de caça.



Enquanto cuida dos ferimentos da cachorra, o jovem veterinário passa por um processo de reabilitação entre crises de raiva descontrolada e o luto repentino pela perda de sua mãe alcoólatra da qual ele havia se afastado. Ocorre, a partir daí, uma série de conflitos existenciais e verdadeiros envolvendo todos os membros da família.


Em paralelo, um grupo de ativistas que lutam pelos direitos dos animais cerca o local, e por meio do uso de drones filmam práticas que eles consideram abusivas em relação aos animais. Enquanto espectadores, devemos admitir que as cenas nas quais são utilizados terriers (raça específica de cães) para caçar as raposas através de túneis de madeira são mesmo intoleráveis para os amantes de animais em geral.


Os personagens de O Coração do Mundo são moldados em um ambiente hostil, visando incrementar essa virilidade e também o lado vil que caracteriza a vida dos fazendeiros. O ator que vive o veterinário Egon (Stepan Devonin) recebeu treinamento em medicina veterinária na vida real para que pudesse se sentir à vontade em meio aos animais e assim conseguir expressar bem o isolamento e agonia interna de seu personagem.



Embora as atuações se tornem intensas ao longo da narrativa, há uma permanente sensação de que estamos vendo um reality show o tempo todo, intensificada pelo fato de não haver um final propriamente conclusivo para a trama. O Coração do Mundo foi premiado em diversos festivais:

Kinotavr open russian Film Festival em 2018. Russian Guild of Film Critics - melhor ator coadjuvante: Dimitri Podnozov.

Festival de Cinema de San Sebastian 2018 - prêmio de novos diretores.

Festival Internacional de Cinema de Toronto 2018 - programa do cinema mundial contemporâneo.


O Coração do Mundo pode ser visto na plataforma SPcine Play de até 30/12:

Gratuito.





HONRANDO A TRADIÇÃO DO SLASHER

por Ricardo Corsetti

Divertidíssima homenagem/citação ao subgênero slasher (terror com muito sangue), na qual o diretor e roteirista Christopher Landon (A Morte Te Dá Parabéns, 2019) acerta em cheio ao emular sobretudo à tradição do "teenager slasher", inaugurado pelo já clássico Pânico (Wes Craven, 1997).


Aliás, a forma como Freaky ao mesmo tempo satiriza e reverencia os clichês deste subgênero, lembra muito o mesmo misto de terror com comédia adolescente, visto em Pânico 4 (2011) também do mestre supremo Wes Craven.


A troca de personalidade é outro artifício muito utilizado pelas comédias oitentistas e pouquíssimas vezes associado ao gênero terror, e aqui é muito bem aproveitado, rendendo momentos hilários graças ao carisma de Vince Vaughn (Confronto no Pavilhão 99, 2018) que aqui vive o sanguinário "açougueiro de Blissfield", trocando involuntariamente de personalidade com a singela mocinha, Millie (Kathryn Newton).

Outro ponto alto do filme é o personagem Josh (Misha Osherovich), cuja função é justamente satirizar um dos clichês máximos do slasher tradicional, pois, conforme ele mesmo diz em determinada cena: "as minorias sempre são as primeiras a morrer no terror adolescente", visto que o personagem em questão é homossexual.



Em suma, embora Freaky seja mesmo composto por uma overdose de citações aos clássicos do "teenager slasher", visto que há também claras menções ao célebre A Hora do Pesadelo (1986), também dirigido por Wes Craven; o faz com personalidade e muita competência.


Confesso que, como poucas vezes me aconteceu nos últimos anos, ao ver lançamentos não consigo encontrar possíveis pontos fracos ou deslizes a mencionar em Freaky. Portanto, só me resta dizer: se você também é fã de terror e, sobretudo do subgênero slasher, não deixe de assisti-lo, pois é diversão garantida!



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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