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COMÉDIA ROMÂNTICA À RUSSA

por Ricardo Corsetti


O ultra-popular formato da comédia romântica de matriz norte-americana já é bastante recorrente nas produções francesas contemporâneas, por exemplo. Portanto, realmente não é de de estranhar que o novo cinema russo também resolva investir nesse filão, que normalmente resulta em duas coisas excelentes para quem o produz: baixo custo de produção e, quase sempre, sucesso de público garantido.

Em Vamos nos Divorciar dirigido pela estreante Anna Parmas, o formato almejado nessa linha da comédia romântica funciona relativamente bem, embora seja fato que a diretora/roteirista às vezes patine um pouco no que diz respeito à condução da trama, bem como também na mescla dos elementos de humor e drama.


O tema que gira em torno da vingança praticada pela esposa quarentona Masha (Anna Mikhalkova), ao se ver trocada por seu marido pela jovem e bela personal trainer Oksana (Yurileva Mayo), se assemelha bastante ao clássico Ela é o Diabo (1989), dirigido pela norte-americana Susan Seidelman e estrelado por Meryl Streep (Entre Dois Amores, 1982). Porém, falta à diretora russa Anna Parmas maior intimidade e desenvoltura com o subgênero comédia romântica, para obter a mesma eficiência com o tema abordado em ambos os filmes.


Mas o filme não é ruim, consegue divertir em determinadas situações, sobretudo quando Masha resolve apelar às "forças sobrenaturais" para tentar manter seu casamento e afastar sua jovem oponente.



Para quem, assim como eu, se habituou a associar o cinema russo à produção altamente autoral e também experimental da ex- URSS, Vamos nos Divorciar irá, no mínimo, causar surpresa ao se constatar que a nova cinematografia russa, assim como ocorre em países como a França e a Itália, por exemplo, busca se desvincular um pouco de seu passado marcado por obras herméticas e voltadas a um público restrito. Em outras palavras, o novo cinema russo parece mesmo estar em busca de "seu lugar ao sol" em relação ao mercado internacional.

Onde assistir:

Festival de Cinema Russo

Período: 10 a 30/12.

Onde: plataforma SPcine Play.

Gratuito






ANIMAÇÃO FORA DO EIXO HOLLYWOODIANO

por Ricardo Corsetti

Ao alcançar a terceira maior bilheteria em seu país em 2019, a animação russa O Reino Gelado: Terra dos Espelhos, realmente comprova que é possível "furar" a hegemonia exercida nesse segmento pelos gigantes norte-americanos, como a Disney e a Pixar, por exemplo.

A talentosíssima dupla de diretores Alexey Tsitsilin (O Reino Gelado: Fogo e Gelo, 2014) e Robert Lance, estreante na direção, mas muito experiente como "storyboard artist", realizam um trabalho bastante próximo ao visto nos filmes de animação norte-americanos, aliás. Mas demonstram personalidade na condução deste competente pequeno filme.


Digo "pequeno", pois a duração enxuta (80 minutos) do filme colabora em muito para que a trama que, em si, não oferece grandes novidades, flua com leveza, sem cansar o espectador, sobretudo quando se pensa nos prováveis espectadores adultos que verão Terra dos Espelhos.


O típico mito do rei bonzinho que combate uma inimiga perversa pelo bem de seu povo, característico das fábulas infantis, não poderia aqui faltar. E, embora vise o bem comum, a atitude do rei no sentido de expulsar de seu reino todos os adeptos e praticantes de magia, confinando-os justamente na citada "Terra dos Espelhos", não deixa de apresentar um certo traço ditatorial, provavelmente não perceptível ao público infanto-juvenil do filme.



Mas como filme de entretenimento não é lugar para "cabecices" ou maiores aprofundamentos em termos políticos ou sociais, talvez a constatação acima descrita não passe de apenas uma mera impressão minha.


Em termos gerais, O Reino Gelado: Terra dos Espelhos cumpre bem sua tarefa de divertir o público infanto-juvenil e também mostra que existem produções com grande potencial comercial, além dos limites normalmente impostos pela terra do Tio Sam.


Festival de Cinema Russo

Período: 10 a 30/12.

Onde: Plataforma SPcine Play:

Gratuito.






DE VOLTA ÀS ORIGENS


por Ricardo Corsetti

É no mínimo curioso que a nova encarnação da mais célebre heroína de todos os tempos, ao contrário da mulher "empoderada e engajada na causa da emancipação feminina" que vimos no filme anterior (Mulher-Maravilha, 2017), também dirigido por Patty Jenkins, dê aqui lugar a uma mulher, digamos assim, bem mais anos 80 mesmo, ou seja: comandada pelo clássico ideal romântico da busca pelo príncipe encantado na figura do piloto Steve (Chris Pine).

A estética repleta de elementos oitentistas, aliás, é um dos pontos altos do novo filme sobre a clássica heroína, também protagonizado pela belíssima e ultra carismática Gal Gadot (Alice Guy - A História Não Contada Sobre a Primeira Cineasta, 2019). Até mesmo o inesquecível avião invisível que, com certeza, povoa o inconsciente coletivo de todo indivíduo com mais de 40 anos e que, portanto, via a série televisiva Mulher-Maravilha - aqui exibida nos anos 80 -, não foi esquecido nesse filme com puro sabor de saudosismo.


Merece também destaque, o folhetinesco (ou seria quadrinesco?) vilão Maxwell Lord, brilhantemente vivido pelo ator chileno Pedro Pascal (Operação Fronteira, 2019) e que, para nós brasileiros, acaba funcionando como piada involuntária, pois é a cara do já saudoso apresentador televisivo Gugu Liberato (10/04/1959 - 21/11/2019).


Embora bastante divertido em termos gerais, Mulher-Maravilha 1984 chega a cansar em alguns momentos, devido a sua desnecessariamente longa duração: 2 horas e 31 minutos.



As claríssimas menções ao famigerado período da Guerra Fria entre os EUA e a ex-URSS, além de previsíveis e até inevitáveis num filme ambientado em meados dos anos 80, não chegam a comprometer o resultado de um filme, ou melhor, uma megaprodução que, obviamente, jamais deve esquecer seu caráter primordial enquanto obra voltada ao entretenimento.


Entre erros e acertos, o saldo final é bastante positivo em Mulher-Maravilha 1984, que ousa, na minha modesta opinião, optar por uma protagonista bem mais real enquanto ser humano (apesar de sua origem não convencional), em vez da heroína forçadamente perfeita do filme anterior que abriu a nova franquia, em 2017.



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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