Atualizado: 23 de jun. de 2023

UMA TENTATIVA DE FILME DE HORROR E O NASCIMENTO DE UMA NOVA MUSA
por Ricardo Corsetti Uma coisa é inegável: desde que estrelou a reencarnação da franquia Pânico - em Pânico 5 (2021) e Pânico 6 (2023) -, a jovem atriz mexicana Melissa Barrera é fortíssima candidata ao título de nova musa do terror - contemporâneo. Ou, quem sabe até, ela possa herdar o título/apelido que já foi associado a Jamie Lee Curtis (Halloween, 1978), entre o final dos anos 70 e início dos 80 -, se tornando a nova "scream queen" (rainha do grito) do horror moderno.

Até porque, é fato que ela é simplesmente a alma, em todos os sentidos, do recente filme O Nascimento do Mal, do qual assina, aliás, a produção executiva, além de protagonizá-lo. No mais, o longa padece da absoluta falta de criatividade ou originalidade, optando por sustos fáceis (que na maioria das vezes, não funcionam da forma esperada) e por uma trilha sonora equivocada, que tenta super dimensionar determinadas cenas, forçando uma dramaticidade que tais cenas, na verdade, nem de longe possuem. Felizmente, porém, para compensar suas deficiências em termos de roteiro e originalidade, O Nascimento do Mal possui Melissa Barrera que, literalmente, deu o sangue (também no sentido metafórico) para o que filme ainda funcione razoavelmente, entregando uma atuação realmente competente e envolvente.

Em termos de referências cinematográficas, O Nascimento do Mal se inicia parecendo uma espécie de misto entre O Chamado (Gore Verbinski, 2002) e Atividade Paranormal (Oren Peli, 2007), para mais adiante se tornar uma espécie de O Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968) pouco inspirado. Em resumo, boas referências o filme até possui, o problema é não saber aproveitá-las ou desenvolvê-las da forma adequada. Em ternos técnicos, a direção é apenas ok e os efeitos especiais, satisfatoriamente realizados. Mas o que realmente fica em nossa memória após ver o filme é mesmo a ótima atuação e total entrega à personagem, apresentada pela nova diva Melissa Barrera. É isso.
Atualizado: 23 de jun. de 2023

UMA TENTATIVA DE FILME
por Ricardo Corsetti
Desde quando, em 2008, a dupla de diretores Glauber Filho e Joe Pimentel realizaram o longa-metragem Bezerra de Menezes, o mercado audiovisual brasileiro descobriu um novo filão de cinema de gênero: o filme espírita.

E apenas dois anos depois, em 2010, o diretor/roteirista do recente Ninguém É Perfeito, Wagner de Assis, dirigiu Nosso Lar, outro grande pilar deste novo subgênero cinematográfico brasileiro.
No entanto, ao contrário do que ocorre em seu bem sucedido e competente filme espírita anterior, Assis erra feio a mão em seu mais recente trabalho.
Atuações equivocadas, mau desenvolvimento do roteiro adaptado da obra literária homônima de Zíbia Gasparetto (1926 - 2018) e até mesmo um estranho estilo de direção, caracterizado por planos (enquadramentos) estranhos e que não funcionam dramaturgicamente, marcam este filme, infelizmente, bastante equivocado.
E no que se refere às atuações, somente Carol Castro (Perigosa Obsessão, 2004) parece encontrar o tom adequado à sua personagem. Danton Mello (Superpai, 2015), por sua vez, apresenta um desempenho apenas mediano como protagonista. Já a bela Paloma Bernardi (Aldo - Mais Forte que o Mundo, 2016) nos oferece um show à parte, mas no mau sentido, pois a composição de sua vilã é involuntariamente hilária, graças ao tom extremamente over (exagerado) de sua atuação. Com certeza, nem mesmo uma típica vilã de novela mexicana televisiva seria capaz de bater a atuação de Bernardi, em termos de exagero cênico (risos).

Outro erro primário - e típico do cinema de gênero made in Brazil - cometido em Ninguém É de Ninguém é tentar copiar a clássica cena dos fantasminhas que carregam os desencarnados do mal rumo às profundezas, claramente inspirada em Ghost - Do Outro Lado da Vida (Jerry Zucker, 1990). Detalhe: 33 anos após sua realização, quando revemos a produção norte-americana citada, tal cena (efeito especial) ainda funciona bem. O mesmo, porém, não se pode nem de longe se dizer a respeito da "réplica" tupiniquim.
É, ao que parece, pouco mais de uma década após sua criação, o filme/cinema espírita à brasileira começa mesmo a apresentar claros sinais de esgotamento.
Atualizado: 23 de jun. de 2023

ARI ASTER APOSTANDO ALTO
por Ricardo Corsetti
Um dos principais nomes da tendência contemporânea do novo cinema de horror, intitulada com a ultra pretensiosa alcunha de "Pós Horror", Ari Aster, autor dos badalados Hereditário (2018) e Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (2019), aposta em novos caminhos no recente Beau Tem Medo.

Em primeiro lugar, ao contrário do que ocorre em seus trabalhos anteriores, é praticamente impossível rotular ou enquadrar o novo filme de Aster em qualquer gênero ou subgênero cinematográfico específico.
Repleto de referências jamais esperadas num filme de um diretor já vinculado/associado ao cinema de horror, tais como: Federico Fellini (1929 - 1993), mais especificamente Fellini Oito e Meio (1964) e David Lynch (Veludo Azul, 1986), o mais recente trabalho do badalado diretor é conduzido por meio de uma narrativa absolutamente não-linear, flertando com os mais diversos gêneros cinematográficos, com elementos que vão desde o drama familiar, passando por pitadas de horror e suspense. E ainda contando com momentos de humor bizarro (sobretudo no que se refere ao complicado relacionamento entre o protagonista e sua insuportável mãe), tem mesmo tudo para elevar a obra do diretor norte-americano a um novo patamar.

Ao longo das três horas de duração de Beau Tem Medo, é óbvio que há certas situações e cenas absolutamente desnecessárias, mas, visto que definitivamente não estamos aqui falando de um filme convencional - com desenvolvimento de trama linear -, tais momentos não chegam a comprometer o bom resultado, principalmente pela beleza do filme em termos de fotografia e cenografia.
Obs: Dizem, inclusive, que Aster já possuía o roteiro pronto e desejava filmar Beau Tem Medo bem antes de seu segundo filme oficial Midsommar (2019), mas acabou mudando de ideia e, evidentemente, preferiu esperar até ter a "moral" e credibilidade necessária à apresentação e realização de um trabalho tão autoral como este, por intermédio de um grande estúdio e, claro, com a estrutura necessária.

Dentre as muitas referências a obras de grandes cineastas, tais como os já citados, é possível também identificar semelhanças estéticas e em termos de, digamos assim, clima soturno e de sexualidade latente, como o último filme do grande e saudoso Stanley Kubrick: De Olhos Bem Fechados (1999).
O consagrado ator Joaquim Phoenix (Coringa, 2019) dispensa maiores comentários quanto à qualidade de sua atuação como protagonista. Mas, justiça seja feita, todo o elenco de Beau Tem Medo apresenta ótimos desempenhos pois, apesar do tom de algumas atuações parecer afetado em demasia, fica evidente que isso é intencional, em se tratando de uma clara opção em termos de direção de atores. E por isso mesmo, tudo funciona perfeitamente nesse sentido.
É, meus caros ególatras, Christopher Nolan (A Origem, 2010) e Darren Aronofsky (A Baleia, 2023), parece que vocês finalmente encontraram um concorrente à altura, em termos de egocentrismo. Mas ok, Aster parece ter mesmo talento para segurar a onda.






































