
UMA NOVA FRANQUIA SE DELINEIA
por Ricardo Corsetti
O segundo filme da franquia (acho que já podemos assim classificá-la) Um Lugar Silencioso - Parte 2 promete repetir o sucesso de precursor em 2018 e, sinceramente, não dá sinais de cansaço, mas sim de muita vitalidade e fôlego para seguir adiante.

O competente e jovem diretor John Krasinski (Jack Ryan, 2019) demonstra muito talento narrativo no sentido de prender a atenção do público com mais um filme ágil e, ao mesmo tempo, consistente em termos de trama.
Embora não seja tão ousado narrativamente quanto o primeiro filme (que era conduzido quase que totalmente sem diálogos e muito mais pelas atitudes e expressões dos personagens), Um Lugar Silencioso - Parte 2 compensa a ausência deste "fator surpresa" com um nível de produção e execução das cenas de ação muito superior ao filme de 2018.
Há também um melhor desenvolvimento psicológico dos personagens coadjuvantes, como por exemplo, o crescimento dentro da trama, apresentado pelo personagem vivido pelo sempre ótimo Cillian Murphy (Café da Manhã em Plutão, 2005).

Apenas para não perder a piada, obviamente, assim como todo e qualquer filme de ficção científica já produzido na terra do Tio Sam, Um Lugar Silencioso - Parte 2 também não responde a pergunta que não quer calar: Por que toda invasão alienígena ao Planeta Terra tem que acontecer, impreterivelmente, nos EUA?

Mantendo a tradição de filmes clássicos do gênero, como Vampiros de Almas (Don Siegel, 1956), por exemplo, a eterna "ameaça externa" ao american way of life (estilo de vida norte-americano) dita o tom de Um Lugar Silencioso - Parte 2.
Além do grande Cillian Murphy, destaque também para a boa atuação da bela Emily Blunt (O Diabo Veste Prada, 2006), vivendo a jovem mãe de família tipicamente norte-americana, na linha do "mexeu com meus filhos, mexeu comigo!"
Um sopro de vida para o aparentemente desgastado gênero Ficção Científica (embora o filme também flerte claramente com o gênero horror) é o que vemos nesta segunda etapa da novíssima franquia que, aliás, deixa tudo obviamente engatilhado no desfecho do presente filme para a - muito provável - terceira parte desta boa saga.

ERRANDO O ARREMESSO À CESTA DO HUMOR
por Ricardo Corsetti
Quase vinte e cinco anos após a realização do já clássico Space Jam (Joe Pytka, 1996), o humor antes ingênuo e bastante espirituoso ao mesmo tempo, praticado pela célebre trupe de personagens da Looney Tunnes demonstra evidentes sinais de cansaço no novo filme Space Jam: Um Novo Legado, realizado no início deste ano.

Com elenco capitaneado pelo astro do basquete/ator Lebron James (Jogada Certa, 2010) interagindo com os eternos ídolos de nossa infância - Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frajola, Piu-Piu, Frangolino, etc - Space Jam é de fato uma megaprodução em termos de efeitos especiais e técnicas de animação, porém, e talvez por isso mesmo, tem sabor de artificialismo e até de uma certa frieza na forma como os personagens (atores) reais interagem com os velhos astros do cartoon.
Além disso, o excesso de correção política na elaboração e condução da trama que levou, por exemplo, à repaginada no figurino da personagem Lola Bunny, visando evitar qualquer apelo à sexualização da coelhinha, bem como a exclusão do divertido Pepe Le Gambá da versão final do filme sob o argumento de que ele "induzia ao assédio sexual" por conta de sua atitude galanteadora, bloqueou ainda mais, qualquer traço de real espontaneidade ao filme.

Aliás, apenas esse episódio isolado do banimento do referido personagem, que na primeira versão de Space Jam deveria aparecer interagindo com a estreante atriz brasileira Greice Santo (também excluída da versão final do filme), por si só, já renderia um filme.
Nem mesmo a quase sempre carismática presença do veterano Don Cheadle (Hotel Ruanda, 2004) como vilão conseguiu me empolgar em relação a uma trama insípida, previsível e repleta de clichês que visam ser "espertos", como por exemplo a citação a cenas e movimentos característicos de Matrix (Wachowski Brothers, 1999), dada a exaustão com que tais citações já foram utilizadas em outros diversos filmes (sobretudo de animação), servem apenas pra cansar ainda mais o espectador ávido por um mínimo sopro de criatividade nessa história.

Salvam-se somente os poucos momentos em que se permite a personagens como Papa-Léguas, Coiote e Diabo da Tasmânia se entregarem ao absoluto nonsense que sempre caracterizou os clássicos desenhos televisivos da turma da Looney Tunnes.
Muita pirotecnia e pouca alma: talvez seja essa a melhor forma de definir e também explicar por que Space Jam: Um Novo Legado é, em grande parte, decepcionante.
Obs: eu, aliás, sou tão pouco inteirado com relação a assuntos relacionados ao universo do basquete que, sinceramente, nem mesmo sabia - antes de ver o filme e pesquisar sobre ele posteriormente - que Lebron James era mesmo um astro do basquete contemporâneo (risos).
É, meus queridos ídolos de infância - Pernalonga, Patolino, Gaguinho e Frangolino - melhor sorte em sua próxima empreitada cinematográfica, ok?

DESACELERANDO NA CRIATIVIDADE
por Ricardo Corsetti
Provavelmente a mais longa - para não dizer infindável saga da história do cinema, ao lado de Star Wars (iniciada em 1977), a franquia Velozes Furiosos, cujos filmes anteriores foram também quase todos dirigidos pelo taiwanês Justin Lin (Star Trek: Sem Fronteira, 2016), chega agora ao nono episódio e, apesar dos evidentes sinais de esgotamento temático, não parece disposta a se encerrar tão cedo, visto que o 10º episódio da saga já está programado para acontecer no início do ano que vem.

Vin Diesel (Missão Babilônia, 2008) mais uma vez encarna o brucutu do volante Don Toretto ao lado de Michelle Rodriguez (Machete, 2010), sua velha parceira desde os primórdios desta saga sem fim. Os personagens em questão são carismáticos, embora apresentem atuações mecânicas, sempre desprovidas de um maior aprofundamento psicológico ou mesmo motivacional em suas ações e escolhas.
Mesmo para quem acompanha a saga/franquia desde o início (eu particularmente vi boa parte dos episódios anteriores), é um tanto quanto complicado encontrar conexões coerentes entre um filme e outro, chegando ao ponto de nos causar a sensação de que realmente não há mais o que se contar a respeito dos personagens remanescentes da trama original.

Eu, particularmente, não sou radical na defesa da absoluta necessidade de verossimilhança quando falamos de uma obra ficcional, no entanto, é fato que Velozes e Furiosos 9 abusa de nossa boa vontade enquanto espectadores, sobretudo naquele impagável (no mau sentido) momento em que apela até mesmo para a ficção científica, nos apresentando um carro convencional que entra em órbita no espaço sideral simplesmente por ter um pequeno foguete acoplado em seu capô. Obs: nem mesmo o alardeado (e nunca realmente lançado filme de Robert Rodriguez Machete Kills Again On Space abusaria tanto de nossa boa vontade (e inteligência) quanto isso.

Felizmente temos alguns poucos momentos de respiro neste rocambole de quase 2 horas e meia de duração, oferecidos pelas charmosas participações especiais de Helen Mirren (A Rainha, 2016), Charlize Theron (Monster - Desejo Assassino, 2003) e Kurt Russell (Os Aventureiros do Bairro Proibido, 1986). Mas isso ainda é muito pouco no sentido de tornar Velozes e Furiosos 9 minimamente aceitável enquanto filme.
Com certeza, a melhor cena ou momento da absurda trama é mesmo a divertida e ultra bem coreografada luta contra os vilões, comandada pela bela atriz nipônica Anna Sawai (Ninja Assassino, 2009).
Em resumo: duração exageradamente longa, trama rocambolesca e motivações rasas e previsíveis dos protagonistas realmente tornam uma aventura (não necessariamente no bom sentido) ver e sobreviver a Velozes e Furiosos 9. Obs: nos preparemos, então, para o "aguardado" 10º filme da saga que está por vir, Dio santo!






































