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UM ATOR EM ESTADO DE GRAÇA

por Ricardo Corsetti Comédias envolvendo situações tipicamente ligadas ao universo familiar sempre foram sinônimo de êxito no cinema internacional. Portanto, nada mais lógico do que o Brasil ter finalmente descoberto, nos últimos anos, esse filão de sucesso praticamente garantido.

Quanto a Um Tio Quase Perfeito 2, se por um lado o filme não traz grandes novidades em relação aos fundamentos do gênero, por outro, confirma o inegável talento cômico de seu protagonista Marcus Majella (Chocante, 2017) que revela incrível desenvoltura para viver as mais loucas situações ao lado de seus sobrinhos fictícios.


O diretor e também roteirista Pedro Antônio Paes (Altas Expectativas, 2016) erra um pouco a mão ao basear sua trama num fato um tanto deslocado da realidade contemporânea, ou seja, por que a irmã de Tony (o protagonista), em pleno século XXI, precisaria do consentimento familiar, inclusive do de sua mãe (Ana Lúcia Torre) para se casar? Mas de qualquer modo, a força do filme reside mesmo é na disputa pela atenção dos sobrinhos de Tony - dentre eles, a bela Patrícia, vivida por Júlia Svacinna - em relação a seu futuro cunhado Beto (Danton Mello), por meio das inúmeras trapalhadas empreendidas pelo ciumento tio, visando continuar sendo o número um no coração dos pimpolhos. Daí por diante seguem-se uma série de situações típicas do universo da comédia familiar, com muitas trapalhadas e escatologia ("puns" soltos em público, "piriri" pós-almoços sabotados, etc), onde tudo flui relativamente bem, graças ao já mencionado talento de Majella para a comédia física e popular.



Atualizado: 20 de fev. de 2021



DELICIOSA NOSTALGIA

por Ricardo Corsetti

Os já imortais "inimigos eternos" Tom e Jerry, sem a menor dúvida, figuram entre as melhores lembranças de infância e pré-adolescência de qualquer indivíduo com mais de 40 anos, talvez em qualquer do mundo, inclusive. Portanto, é absolutamente impossível para alguém dessa faixa etária (na qual me encontro, aliás) entrar numa sala de cinema para assistir a Tom e Jerry - O Filme e não reativar assim involuntariamente, todo um arsenal de memória afetiva em relação aos personagens.



O diretor Tim Story (Quarteto Fantástico, 2005) acerta ao manter a base do que sempre foi o tumultuado convívio entre os arquetípicos inimigos ao longo de suas vidas ficcionais, não se preocupando, inclusive, com a absoluta ausência de verossimilhança que sempre caracterizou as brigas dos mais famosos gato e rato do universo. Fato este que já gerou reações por parte da hoje em dia sempre vigilante patrulha do politicamente correto que qualificou o filme como "extremamente violento e inadequado para o público ao qual se dirige", o que já resultou em seu prévio banimento das plataformas de streaming.


Quanto a todo esse burburinho desnecessário, faço apenas um comentário pessoal: tais "portadores da verdade absoluta" e "guardiões dos bons costumes", simplesmente ignoram o fato de que aqui estamos falando de Cinema e, portanto, do campo específico da ficção onde, no meu entender, não há espaço para qualquer tipo de censura ou até mesmo excessivas cobranças quanto à verossimilhança de determinadas situações.



Para mim, onde o diretor erra um pouco é justamente na opção pelo formato live action, ou seja, na junção em cena de atores reais com os personagens de animação. Na minha modesta opinião, a presença de atores reais interagindo com aqueles que são indiscutivelmente os verdadeiros protagonistas da história (Tom e Jerry), mesmo levando em conta o carisma e talento de Chloe Grace Moritz (Obsessão, 2018), acaba prejudicando a fluência da trama que, no meu entender, funcionaria melhor se fosse conduzida apenas pelos ultra carismáticos "eternos inimigos".


Mas de qualquer forma, em termos gerais, é uma deliciosa experiência rever meus ídolos de infância aprontando suas inconfundíveis confusões na tela grande do Cinema.







UMA NOVA DIVA ALEMÃ


por Ricardo Corsetti

Filmes que retratam as inevitáveis mudanças nas relações familiares, causadas pela descoberta inesperada de um sério problema de saúde, estão longe de serem novidade ao longo da história do cinema internacional. Sendo assim, o que realmente faz a diferença quando alguém ainda se propõe a falar sobre tal situação é mesmo a habilidade narrativa dos diretores e roteiristas que decidem abraçar tal ideia no filme Minha Irmã.


A dupla de diretoras suíças estreantes Veronique Reymond e Stephanie Chuat se sai relativamente bem nessa difícil tarefa de ainda tentarem soar originais e relevantes num filme que gira em torno das mudanças no convívio familiar entre os irmãos Lisa (Nina Hoss) e Sven (Lars Eidenger), no momento em que o segundo descobre estar com câncer.


Mas é também verdade que boa parte do mérito de Minha Irmã ao abordar o tema deve-se ao inegável talento e carisma de Nina Hoss, a bela atriz alemã que tem se revelado como talvez a principal estrela do novo cinema europeu, desde que protagonizou o excelente Phoenix, de Christian Petzold, em 2015.


Ao descobrir que seu querido irmão Sven está com câncer, a personagem vivida por Hoss conduz, com muita sensibilidade e sutileza, a inevitavelmente trágica consciência de que seu melhor amigo (além dos laços familiares) pode partir a qualquer momento.


Há também uma clara referência ao mestre sueco Ingmar Bergman (Gritos e Sussurros, 1972) na forma intimista com que a dupla de diretoras suíças conduz sua trama, sempre privilegiando o registro das emoções e alterações sofridas no universo interior da dupla de protagonistas muito mais do que se preocupando em registrar histerismos desnecessários provocados pela gravidade da situação, como muito provavelmente uma produção norte-americana sobre o mesmo tema o faria, por exemplo.


Uma bela e talentosa estrela - Nina Hoss - associada à sensibilidade de uma jovem dupla de diretoras, eis os principais trunfos de Minha Irmã.




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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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